AVALIAÇÃO EXTERNA – CLDS AGUIAR NO CORAÇÃO
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AVALIAÇÕES – Programas de desenvolvimento social
Carlos Valentim Ribeiro | Caixa de Mitos Agosto 2023
METODOLOGIA
Considerando que os aspetos quantitativos e de prestação de contas, tendo em consideração que o CLDS 4G – Aguiar no Coração foi financiado pelos fundos públicos europeus e nacionais, encontram-se tratados e desenvolvidos no quadro mais geral deste processo de avaliação, admitiu-se que uma abordagem estritamente qualitativa, seria útil e adequada para reforçar a avaliação propriamente dita e ainda para contribuir para uma reflexão sobre o próprio modelo dos CLDS particularmente nos territórios rurais.
À primeira vista, tendo em conta os resultados positivos obtidos e o grau elevado de satisfação dos participantes e dos parceiros, estaremos perante uma boa base de trabalho para aprofundarmos alguns temas e definirmos pistas para iniciativas futuras com perfil similar.
Se formos ao encontro das práticas e das ideias que orientaram as atividades do projeto poderemos investigar um pouco mais sobre os processos de intervenção social que são desenvolvidos de forma voluntarista sobre a realidade social procurando agir de forma mais intensa e mais focada sobre determinado tipo de problemas cuja resolução, a ser remetida para as políticas públicas convencionais, colocaria em risco a coesão social de forma incontrolável.
Sabemos que uma intervenção focada não pode ser desenvolvida como se de uma operação militar se tratasse. Os problemas existindo, eles estão ligados a múltiplos fatores que obrigam a olhares amplos e abertos sobre as condições da sua existência. É nesta relação complexa entre foco, concentração de esforços, abordagens especializadas e ligações multisetoriais e até multiterritoriais que se deve procurar os elementos que acabam por garantir a eficácia e a eficiência de processos que não são lineares.
De uma forma metafórica poderíamos definir esta investigação – reflexão sobre as dinâmicas do CLDS como a “procura dos vasos comunicantes no tecido social que se retroalimentam para estruturar processos sólidos de uma mudança social desejada”.
Estes pressupostos estabelecem uma ponte para a metodologia que foi adotada nesta vertente da Avaliação Externa que se funda na combinação criativa entre observação, escuta ativa e sistematização de experiências e, finalmente, numa abordagem reflexiva sobre o próprio modelo do sistema que está a ser avaliado.
A atividade mais notória foi a entrevista direta e pessoal a protagonistas do CLDS e, as restantes ações, situaram-se no campo da análise documental e da consulta à matéria divulgada e publicada em termos públicos.
Sobre a apresentação dos resultados do processo de investigação-avaliação adotou-se o Modelo Avaliação 360º que foi utilizado na definição e organização das 50 melhores Boas Práticas europeias apoiadas pelo Fundo Social Europeu que a DG Régio da Comissão Europeia assumiu e divulgou em 2013.
O modelo foi adaptado e simplificado para a avaliação externa do CLDS Aguiar no Coração sendo aqui a estrutura adotada principalmente focada nos ingredientes sociais e nas principais reflexões e conclusões das entrevistas realizadas.
As mensagens fundamentais constituem a parte introdutória de cada caso/entrevista procurando introduzir os elementos mais significativos da reflexão produzida. Para além da problematização de vários temas e subtemas que a execução do Programa proporcionou e da capitalização da experiência vivida, foram adiantadas pistas para abordagens futuras.
Uma proposta de debate surge no seguimento das mensagens fundamentais para alimentar o processo de reflexão com pessoas e entidades que contactem com a Avaliação e que se assumam como parte integrante do aprofundamento a realizar.
Conclui-se com uma peça jornalística que tem por finalidade sensibilizar os leitores para as situações criadas e vividas e desta forma tornar a abordagem aos temas do programa viva e próxima, sabendo-se que as narrativas se baseiam em afirmações ou referências dos entrevistados que são aqui apresentados.
Doze entrevistas que abarcam instituições e pessoas com funções e papéis muito diferenciados no Programa: Organizadores de iniciativas e ações; facilitadores temáticos e territoriais; eleitos com responsabilidades nas autarquias locais; instituições locais, participantes nas atividades e a Equipa de Coordenação do CLDS.
Às entrevistas e ao processo no seu conjunto com os entrevistados atribuímos a denominação de Encontros de Sistematização de Experiência.
II – ENCONTROS PARA A SISTEMATIZAÇÃO DE EXPERIÊNCIA
- Apresentação do(a) entrevistado(a)
- Mensagens Fundamentais
- Debate
- Informação para o Exterior – Abordagem jornalística do Encontro
Encontros para a Sistematização de Experiência I

| NOME | Francisco José Nunes Fernandes |
| FUNÇÕES | Vice-Presidente da Câmara Municipal de Aguiar da Beira |
| ENTIDADE PARCEIRA | Câmara Municipal de Aguiar da Beira |
| PRINCIPAL CONTRIBUTO NA PARCERIA DO CLDS | Organização (apoio à organização de atividades do CLDS); |
MENSAGENS FUNDAMENTAIS
O CLDS CONSEGUIU UNIR AGUIAR DA BEIRA, UNIR AS ENTIDADES E AS PESSOAS, FOI INQUESTIONAVELMENTE UM PROJETO DE SUCESSO QUE TEM QUE CONTINUAR
- Uniu Aguiar da Beira numa situação muito difícil que foi o período da pandemia. Quando surgiram todos aqueles sinais de desespero, de insegurança, de medo, o CLDS adaptou rapidamente o seu programa e passou a agir junto das instituições e das pessoas para contrariar o ambiente negativo que estava instalado;
- Uniu as entidades do território em torno de objetivos comuns e conseguiu que as rivalidades e alguma competição que existe entre as instituições do concelho fossem, pouco a pouco, ultrapassadas. Este trabalho já vem de trás, não foi de agora, mas nesta fase da pandemia o CLDS conseguiu consolidar essa abordagem colaborativa;
- Uniu as pessoas, de uma forma geral em todo o território. Para tal teve a seu favor um capital fundamental neste tipo de trabalho social, ganharam a CONFIANÇA das pessoas. E essa foi a grande mais-valia da intervenção realizada com aquele grupo de voluntários que conseguiu que as pessoas se reerguessem e ganhasse de novo confiança no futuro.
- Com este formato ou com outro este tipo de projetos tem que continuar. A sua ação no território passou a ser considerada por todos como uma parcela da sua própria atividade.
UMA EQUIPA MULTIDISCIPLINAR, COM ELEMENTOS COM PERFIS MUITO PARTICULARES. NÃO É QUALQUER UM QUE PODE INTEGRAR UMA EQUIPA DE ANIMAÇÃO COMUNITÁRIA DE UM CLDS
- Aguiar da Beira tem a sorte de contar com profissionais com um perfil multidisciplinar e muito do sucesso do projeto deve-se a esse fator. E a par do perfil coletivo há que ter em conta as caraterísticas de algumas pessoas em especial, como foi o caso aqui em Aguiar da Beira. Claro também influenciam, e muito, outros elementos do projeto como a entidade que acolhe o CLDS e os restantes parceiros como é o caso da Câmara Municipal. Mas este é um fator fundamental que importa ter em conta para o futuro.
- A capacidade de adaptação surge como uma das bases de atuação deste tipo de equipas. A prova foi a atuação no período da pandemia. Mas na atividade regular o desafio é o mesmo.
- A ligação às pessoas consegue-se com o apoio que é dado na resolução de pequenos problemas. E o mesmo acontece com as entidades. A capacidade de resposta às solicitações que vão surgindo torna o CLDS indispensável.
- No fundo o CLDS é uma intervenção transversal que precisa de uma equipa que atue em conformidade com essa lógica. E não é fácil. Alguns elementos da equipa desistiram e tiveram que ser substituídos. É um trabalho muito exigente.
ALGUMAS ÁREAS DE ATUAÇÃO DO CLDS FORAM VERDADEIRAMENTE ESPECIAIS E ALGUMAS DELAS DEVERIAM SER CONSIDERADAS EM PROJETOS FUTUROS COMO IMPORTANTES
- A ligação à comunidade imigrante. Esta dinâmica começou há já algum tempo, o CLDS veio reforçar as ações com novas iniciativas. Ela é muito importante para um concelho como Aguiar da Beira.
- A ligação com o setor económico. O CLDS apoiou a criação de várias empresas e deu continuidade às interações empresariais que têm uma expressão particular na Feira das Atividades Económicas.
- A ligação aos licenciados que tendo saído de Aguiar da Beira para realizar os seus estudos no ensino superior (são 40 jovens que anualmente vivem essa condição) deveriam manter uma relação forte com o concelho e serem cativados para se instalarem em termos também profissionais no concelho. Mas para tal tem que haver condições para um regresso, condições essas que precisam de ser trabalhadas já que o tecido empresarial local não tem possibilidades de os enquadrar.
- A ligação com as IPSS. Algumas irão ter muitos problemas no futuro. As dificuldades já sentem atualmente e num futuro que se avizinha, projetos como o CLDS apoiariam muito as potenciais alternativas ou soluções que poderão vir a implementar.
- Ligação com as associações. Existe um problema real com o associativismo no concelho. A dinamização do tecido associativo não se consegue sem ser com intervenções externas, com ideias e propostas que incentivem uma ação continuada, que na cultura, no desporto e sobretudo nos Jovens.
DEBATE
Pode uma estrutura técnica pequena, sem grande base logística, com uma responsabilidade de intervenção principalmente no setor social, ser eficaz em intervenções claramente transversais que abarcam todas as comunidades e todas as áreas de desenvolvimento de um concelho?
Argumento 1. Já se sabe quem quer fazer tudo acaba por não fazer nada. Ou faz tudo pela rama. E intervenções desse tipo acabam por ser “pior a emenda que o soneto”. As instituições e as pessoas não levam a sério esse tipo de trabalho à superfície e acabam por não lhe dar importância,
Argumento 2. Uma boa Coordenação consegue que as energias sejam bem repartidas e que sejam combinadas as tarefas pontuais e de resposta rápida com um trabalho mais estruturado e mais profundo. No funco a arte da animação comunitária situa-se nesse desempenho com dupla intensidade. Numa estabelecem-se e tecem-se ligações. Noutra apoia-se a progressão para mudanças sociais nos campos prioritários.
Argumento 3. Por vezes o processo criativo na intervenção social leva a que vistas do exterior algumas ações aparentam dispersão, desorganização e até superficialidade. Mas o essencial de uma lógica criativa aplicada aos territórios no quadro da animação comunitária é a mudança a produzir e não as atividades ou as ações dos programas. Estas são apenas pontos de partida para impulsionar processos de transformação social. No fundo os CLDS deveriam adotar um novo conceito de intervenção criativa para o desenvolvimento que implica necessariamente um grande espaço de liberdade. Ficar amarrado a um programa pode ser uma solução burocrática na qual o Plano conta mais que a transformação e a mudança social.
A INFORMAÇÃO PARA O EXTERIOR – A ABORDAGEM JORNALÍSTICA DO ENCONTRO

Confesso que ainda hoje não consigo encontrar uma explicação para a mobilização dos voluntários durante o período da pandemia. Surpreenderam-me e tenho que reconhecer foi uma excelente surpresa.
O Vice-Presidente da Câmara de Aguiar da Beira, Francisco Fernandes, meteu o dedo na ferida. Se há algo que ainda não foi totalmente explicado foi exatamente essa enorme ação voluntária que percorreu aldeias e bairros e que “salvou Aguiar” do desespero.
Os anúncios diários na televisão e a informação informal que circulava por ruas e cafés punham a os aguiarenses com a cabeça às voltas. Não sabiam o que pensar e no íntimo de cada um crescia o pânico e o medo em relação ao futuro.
Hoje, em forma de balanço, o Município admite que o CLDS foi determinante nas ligações entre todas as entidades que deram o seu melhor naquele período conturbado e sobretudo valoriza a capacidade de mobilizar voluntários para causas comuns e de interesse público.
Esse capital de solidariedade e união que foi construído em situações de exceção não deveria ser perdido na perspetiva de Francisco Fernandes que admite que iniciativas no sentido de relançar o voluntariado no concelho terão de certeza o apoio da autarquia local.
Uma Rede de Voluntários, apoiada pela Câmara Municipal e por outras instituições do concelho e dinamizada por uma equipa criativa e multidisciplinar do CLDS, eis uma boa perspetiva para a dinamização da solidariedade com Aguiar no Coração.
Encontros para a Sistematização de Experiência I

| NOME | Elisabete Bárbara |
| FUNÇÕES | Diretora e professora |
| ENTIDADE PARCEIRA | Agrupamento de Escolas Padre José Augusto da Fonseca |
| PRINCIPAL CONTRIBUTO NA PARCERIA DO CLDS | Organização (apoio à organização de atividades do CLDS); Facilitador (apoio no acesso às pessoas e organizações); |
MENSAGENS FUNDAMENTAIS
O CLDS constituiu uma mais-valia para a atividade da escola.
A razão principal desta mais-valia radica no envolvimento da população discente e de toda a comunidade escolar, professores, parceiros, famílias.
- Houve opção de desenvolver temas e ações transversais não limitando as iniciativas a setores específicos, ditos mais desfavorecidos, e procurou-se ajustar as intervenções à diversidade existente.
- Existem situações que poderão justificar intervenções mais orientadas ou focadas, mas de uma forma geral os temas transversais como a violência no namoro, a segurança na Internet e outros são adequados para envolver todos sem exceção.
A lógica dominante foi a da educação considerada como formação de pessoas integrais, com um forte sentido de cidadania.
- Esta abordagem foi a base da grande adesão que houve aos programas. Estas dinâmicas completam a educação formal com outras abordagens mais informais e não-formais.
Dinamizadores de iniciativas que vêm de fora conseguem melhores resultados em alguns domínios que os recursos internos.
- São competências diferentes que influenciam de forma mais intensa os participantes nas ações, sendo notório que uma capacitação adequada para determinados assuntos proporciona resultados mais positivos.
DEBATE
O tema crítico que esteve no centro da reflexão do Encontro para a Sistematização de Experiência foi o das estratégias eficazes de intervenção junto dos setores da população que se encontram em situação de desvantagem económica e social.
As abordagens exclusivamente transversais, sem cuidar das vulnerabilidades e das condições de partida para aceder a determinados projetos não será uma atuação contraditória com a própria essência dos CLDS como programas pensados para promover a inclusão social?
- Argumento 1: se juntamos pessoas com os mesmos problemas estamos a criar becos sem saída enquanto os coletivos heterogéneos facilitam a identificação de soluções;
- Argumento 2: todas as famílias têm vulnerabilidades, veja-se o tema da violência doméstica que nada tem a ver com as condições socioeconómicas e que está presente em famílias muito diversas.
- Argumento 3: Se seguirmos o exemplo da sala de aula, a matéria é a mesma, mas o professor tem que explicar para todos e para cada um se necessário for.
- Argumento 4: não é possível pensar que todos estão nas mesmas condições para participar em atividades na escola. Desde logo, em matéria de recursos, as diferenças na posse de meios tecnológicos e no plano imaterial, as prioridades de uns e de outros são muito diferentes.
A INFORMAÇÃO PARA O EXTERIOR – A ABORDAGEM JORNALÍSTICA DO ENCONTRO
O CLDS É PARTE INTEGRANTE DA DINÂMICA DA ESCOLA
Para a Diretora do Agrupamento de Escolas de Gouveia a relação do CLDS com os estabelecimentos de ensino da cidade é muito clara. No seu entender estamos não apenas perante uma parceria entre entidades que decidiram cooperar entre elas, mas acima de tudo face a um processo de articulação que coconstroi interações que passam a ser de responsabilidade partilhada de forma sustentada.

Como adiantou Elisabete Bárbara as iniciativas do CLDS são facilmente acolhidas e rapidamente incorporadas nas atividades da escola e o inverso também acontece. Projetos lançados pela escola acabam por ser apoiados pelo CLDS que introduz sempre mais-valias nas formas de dinamizar as ações com a comunidade.
São vários os domínios de cooperação que estruturam a parceria e que implicam organização conjunta de atividades. E é no quadro específico deste tipo de iniciativas que os alunos que obtêm resultados menos positivos nas aprendizagens de base escolar acabam por afirmar outro tipo de capacidades, de uma forma geral com uma forte carga operacional e prática. Veja-se o caso do desporto, um aluno que na prática desportiva da Orientação surge como um praticante de bom nível competitivo e que demonstra lucidez e espírito de iniciativa invulgares, na escola apresenta dificuldades que eventualmente poderiam ser minimizadas se as matérias tratadas em sala de aula estabelecessem pontes com os temas do desporto que pelos vistos captam o seu interesse e até paixão.
A experiência do CLDS na escola veio colocar de forma ainda mais premente duas vertentes que a Direção do Agrupamento de Escolas de Gouveia considera particularmente relevantes: a educação comunitária e a mediação com a comunidade. Uma e outra dependem da existência de programas como o CLDS que pode e deve assumir no futuro um perfil de dinamizador de ações, mas também de formador, intensificando a capacitação dos diversos atores da escola e da comunidade para uma relação mais colaborativa e mais qualificada no quadro da educação e do desenvolvimento comunitário.
Encontros para a Sistematização de Experiência II
| NOME | Cristina Ramos | Participante individual |
| FUNÇÕES | – |
| ENTIDADE PARCEIRA | – |
| PRINCIPAL CONTRIBUTO NA PARCERIA DO CLDS | Não se aplica |
MENSAGENS FUNDAMENTAIS
Novidade foi para muitos idosos partilharem conhecimentos com os mais jovens
- Para muitos, na aldeia, esta foi uma experiência nova e importante. Antes não existia esta oportunidade dos mais velhos se relacionarem com os mais jovens. Esta barreira foi ultrapassada.
As questões do ambiente tiveram um peso importante nas atividades realizadas e nas pequenas mudanças que foram surgindo
- Antes o tema só era abordado pelos jovens e crianças que vão à escola. O assunto foi tratado com a comunidade e existe agora uma maior sensibilização. Em casa das famílias há um diálogo mais ativo sobre questões como a reciclagem.
De uma forma geral o que prevaleceu foi o convívio e no período da pandemia foi a sensação reconfortante da existência de apoios e de não estarmos sozinhos
- O convívio é já por si uma pequena vitória sobre a sedentarização e também sobre as dificuldades de mobilidade. Ir ao encontro dos outros já é uma pequena vitória. Estar ocupado com os outros é diferente de estar ocupado ou ocupada sozinho/a.
A sensibilização sobre os temas da saúde e do desporto colocou novos desafios aos comportamentos do quotidiano.
- Nem sempre estas iniciativas têm repercussões imediatas. Mas as pessoas ficam mais atentas e isso jé é uma vantagem muito grande.
DEBATE
O tema crítico que esteve no centro da reflexão do Encontro para a Sistematização de Experiência com a Cristina Ramos foi o da disponibilidade para realizar atividades no âmbito do CLDS.
A boa gestão das ações no tempo certo e adequado parece ser um fator determinante para motivar ex-participantes em futuros dinamizadores de atividades locais.
O CLDS que realizou as suas atividades em horários flexíveis poderá considerar o horário disponível dos mediadores locais para agendar ações de forma a reforçar a rede de animação territorial.
ARGUMENTO 1 – Para muitos adultos só é possível participar em horários compatíveis com a atividade profissional o que significa realizar ações ao fim-de-tarde e à noite.
ARGUMENTO 2 – O fim-de-semana é o período que reúne maior potencial, mas também é aquele que todos aproveitam para a família e para atividades que não podem ser adiadas.
A INFORMAÇÃO PARA O EXTERIOR – A ABORDAGEM JORNALÍSTICA DO ENCONTRO
Ficam sempre as experiências
O CLDS Aguiar no Coração promoveu, com o apoio de parcerias locais, várias iniciativas na aldeia onde Cristina Ramos vive. Algumas atividades serão recordadas com saudade já que o ciclo de 3 anos do Programa encerrou muito recentemente.
Questões do ambiente, da saúde, do desporto e de algumas outras áreas envolveram sobretudo aldeões com idade mais avançada. Alguns jovens acabaram também por participar e, nessa circunstância intergeracional, firmou-se um sentimento de comunidade.
Ficam sempre as experiências. Esta é a convicção de quem participa num programa que acaba por influenciar o quotidiano de quem nele se envolve. De tudo o que aconteceu ao longo das jornadas ficam pequenas histórias e pequenos passos dados em campos de atuação até então desconhecidos.
Cristina Ramos não se esquece do saco do lixo cheio, para ela uma situação totalmente inesperada, que ocorreu quando decidiu, com familiares, recolher todo o lixo que estaria na berma da estrada entre a sua casa e o cruzamento. A distância não era muito grande e à primeira vista os plásticos isolados que surgiam aqui e ali não dariam grande trabalho a recolher. Nada de mais enganador. São lixos disfarçados que a natureza acaba por camuflar de forma involuntária. Um saco, dos grandes, bem cheio, eis um resultado que não lhe passaria pela cabeça.
Esta situação que partilhou com vários aldeões acabou por ser um excelente apontamento de sensibilização. Afinal estas coisas do ambiente dizem respeito a todos e se cada um fizesse a mesma experiência era capaz de ficar de boca aberta.
Tudo indica que as diversas iniciativas que foram levadas a efeito na aldeia vão deixar saudades, porque, como afirma Cristina Ramos “Estavam ocupados e conviviam uns com os outros, isto para além dos conhecimentos que foram adquiridos. Vai fazer falta o CLDS nestas terras”.
Encontros para a Sistematização de Experiência III
| NOME | Pedro Ferreira |
| FUNÇÕES | – |
| ENTIDADE PARCEIRA | – |
| PRINCIPAL CONTRIBUTO NA PARCERIA DO CLDS | Iniciativa (organização de atividades próprias); |
MENSAGENS FUNDAMENTAIS
As intervenções sociais inclusivas podem marcar as comunidades e incentivar novas atitudes e comportamentos
- Atividades públicas organizadas por invisuais comprovam à sociedade que existem capacidades que ultrapassam aquilo que as pessoas imaginam.
- Para os invisuais organizadores é uma demonstração que é possível realizar iniciativas recorrendo apenas a alguns sentidos.
- Para a sociedade é uma nova perceção da vida em comum, valorizando novos elementos de diferenciação.
O acompanhamento de pessoas invisuais nos seus projetos torna-se um processo de aprendizagem sobre sentidos e pontos de partida para a ação
- As iniciativas no campo do apoio à inclusão de pessoas com deficiências específicas precisam de ser genuínas e corresponderem à vontade e desejo de quem as promove. É nessa medida que se produzem processos de inclusão ou ao invés de integração.
- Assim fazer COM ou estar ao lado de quem dinamiza é uma de apoiar e de aprender.
Apostar na continuidade de iniciativas com sucesso é um imperativo. Quando se trata de projetos inclusivos torna-se uma obrigação.
- Projetos inclusivos com impacto económico, nomeadamente no turismo local, podem tornar-se num fator acrescido de diferenciação da oferta do território
- Iniciativas como aquela que foi organizada com Motos e Automóveis antigos que atraiu dezenas de pessoas a Aguiar da Beira produzem efeitos socias, culturais e económicos fortes precisam de ser apoiadas na continuidade e não apenas como um ato isolado. Também neste plano se constrói comunidade por ser matéria de interesse comum.
DEBATE
O tema crítico que esteve no centro da reflexão do Encontro para a Sistematização de Experiência foi o da base legal ou forma jurídica que deve assumir o promotor de iniciativas autónomas de pessoas com deficiência.
Argumento 1 – Tendo em conta as limitações que existiram na iniciativa individual de promoção de eventos em termos de apoios e de patrocínios, pessoas com deficiência precisam de um quadro legal de base coletiva que facilite a organização das suas ações.
Argumento 2 – Uma base associativa – criar uma associação -, pode ser o quadro mais óbvio para o efeito;
A integração numa entidade coletiva com cobertura municipal pode ser outra solução;
A cobertura de uma associação nacional que apoia iniciativas de pessoas com deficiência pode ser uma solução a explorar.
A INFORMAÇÃO PARA O EXTERIOR – A ABORDAGEM JORNALÍSTICA DO ENCONTRO
Valeu a pena. Aguiar da Beira ganhou em notoriedade e mais de uma centena de pessoas deslocaram-se à sede de concelho. Motas e automóveis antigos circularam na localidade sob a batuta de Pedro, um invisual que não quis ficar de braços cruzados.
A paixão pelos motores e pelas antigas carcaças esteve na origem da ideia que para muitos era um delírio sem qualquer hipótese de concretização. Mas o Pedro definiu um objetivo e desenhou um plano consistente. Precisou de alguns contactos e de apoio logístico, mas realizou a operação com as suas próprias mãos.
Não é qualquer um que consegue envolver associações, proprietários, instituições e pessoas diversas num encontro de motas e automóveis antigos. È preciso saber do assunto e demonstrar competências de organização. Pedro organizou a sua central de comunicação e o seu telefone mão parou de tocar dias a fio. Uma experiência única que não é fácil esquecer.
Agora o desafio, em termos mais imediatos, é outro. A intenção de Pedro é ser co-piloto numa ação de referenciação e regulamentação de uma prova do Automóvel Clube de Portugal. O seu objetivo, para além da experiência em si, é realizar esta atividade em Aguiar da Beira e consequentemente voltar a contribuir para o desenvolvimento da sua terra e promover a reflexão sobre as competências das pessoas com deficiência atacando através de ações práticas os tabus que ainda prevalecem nas comunidades locais e nas instituições.
Para o CLDS Aguiar no Coração trata-se de mais um desafio de acompanhamento a iniciativas no território, no caso projetos inclusivos que também alimentarão as dinâmicas do desenvolvimento social e local.
Encontros para a Sistematização de Experiência IV
| NOME | Dina Andrade |
| FUNÇÕES | Secretária Junta de Freguesia de Dornelas |
| ENTIDADE PARCEIRA | Junta de Freguesia de Dornelas |
| PRINCIPAL CONTRIBUTO NA PARCERIA DO CLDS ( | Organização (apoio à organização de atividades do CLDS); Facilitador (apoio no acesso às pessoas e organizações); |
MENSAGENS FUNDAMENTAIS
As questões da saúde são claramente uma temática de interesse geral. Quando se entende que a participação das pessoas está diretamente relacionada com vantagens ou benefícios que cada um ou cada uma pretende tirar das atividades que são dinamizadas, então as pequenas ações de diagnóstico ou de acompanhamento (não profissionais) deveriam ser uma invariável nas iniciativas locais.
- Programar momentos e situações que permitam aos participantes em iniciativas lidarem com meios de diagnóstico e de informação sobre temas da saúde;
- Incentivar ações regulares com os serviços de saúde comunitária e com voluntários;
- Fomentar a autoformação dos setores mais jovens da população em práticas de exercício físico adaptado aos mais idosos.
Para estabelecer uma relação estrutural entre as funções do Estado Local (juntas de Freguesia) e as dinâmicas provocadas por animações externas que influenciam os territórios e as populações locais em várias matérias relacionadas com o desenvolvimento, importa contextualizar e aferir do impacto de algumas condicionantes.
- O grau de proximidade do órgão autárquico às populações locais em domínios não-formais (administrativos, legais);
- Os recursos técnicos mobilizáveis no território para assegurar as funções de animação comunitária em causa;
- A adaptação do Orçamento Local às rúbricas especializadas que viabilizem uma gestão autónoma dos recursos financeiros dedicados a estas novas funções;
- As tensões existentes na comunidade, em última análise as divisões por razões diversas entre grupos e até famílias;
- O grau de perceção (negativa ou positiva) que se encontra sedimentado face ”ao que vem de fora” e face às eventuais experiências anteriores de intervenções com origem externa à localidade.
Para assegurar a continuidade de ações que são dinamizadas com a colaboração dos mais jovens importa assegurar um reconhecimento público coerente das atividades dinamizadas e das pessoas que as alimentam.
- Um dos fatores motivacionais para que os jovens nas aldeias se empenhem em iniciativas locais e regulares radica em processos de valorização pública pelas instituições do território;
- Podem ser encontradas formas de compensação ou pequenos benefícios para aqueles que se dedicam à comunidade como cartões de desconto em serviços pagos (tipo Cartão Jovem);
- Acarinhar os voluntários com iniciativas de reconhecimento público.
DEBATE
O tema crítico que esteve no centro da reflexão do Encontro para a Sistematização de Experiência foi o da autonomia e inversamente da dependência de ações e intervenientes externos para o desenvolvimento local.
Argumento 1 – Podem repetir-se muitas ações com origem no exterior das localidades, quando acabam e os projetos terminam, volta tudo ao mesmo, como estava antes de existirem atividades;
Argumento 2 – Se não forem elementos externos a organizar e dinamizar novas iniciativas, nada acontece para além das atividades tradicionais que são organizadas ao longo dos anos. Mais vale atividades que decorem durante um determinado período que não haver nada;
Argumento 3 – Os dinamizadores externos podem e devem lançar as iniciativas e assegurar os pontos de partida, a abertura das portas. Mas logo a seguir devem concentra-se na capacitação de recursos locais para dinamizarem as atividades conjuntamente com potenciais futuros dinamizadores,
A INFORMAÇÃO PARA O EXTERIOR – A ABORDAGEM JORNALÍSTICA DO ENCONTRO
Vocês ficaram no coração daquela gente
O CLDS Aguiar no Coração andou pelas aldeias. Ninguém esquece a Andreia com o seu Medidor de Tensão Arterial no tempo da pandemia. Para muitos era uma segurança poder contar com as visitas regulares dos técnicos do Programa. Um pouco de conversa, um convite para uma próxima atividade com os outros, uma olhadela a uma carta do serviço das águas e aquele agarrar da mão, na despedida, que serve de agradecimento sem palavras excessivas.
Às 8h59 batem à porta. A Dina e o Alexandre estavam prontos para sair, o pequeno-almoço estava praticamente no fim. Batem uma segunda vez e ouvem-se vozes com palavras de desculpas pelo meio. Parece que é urgente.
A Secretária da Junta de Freguesia vem abrir e larga as saudações iniciais como se estivesse à espera de alguém. E logo ali, sem rodeios, o assunto a tratar é apresentado e a promessa de resolução até ao dia seguinte, assumida com clareza. Na prática foi mais uma situação de rotina. Em poucos minutos ficou tratada uma matéria que se fosse ao balcão da Junta demoraria pelo menos uma hora, contando com as esperas, claro.
Para Dina Ferreira esta é a maneira prática que gosta de exercer a sua função de eleita. Estar perto das pessoas e ser alguém com quem elas possam contar. Muitas vezes para assuntos que nada têm a ver com a Junta. Mas a proximidade também exige flexibilidade.
À tarde, uma Oficina do CLDS, arranca com um pequeno grupo de participantes. Numa primeira fase partilha-se informação sobre quem não vem e sobre quem ainda virá. Uns referem que os da vizinhança têm afazeres com os animais, outros que ouviram dizer que este ou aquela tinha ido à farmácia, à sede do concelho, e que só voltava a meio da tarde.
Às tantas esta fase inicial é tão importante como aquela que se lhe segue, já em plena Oficina temática. No fundo o convívio e o saber uns dos outros torna-se essencial para todos sem exceção.
Informam os dinamizadores que este ano não se realizará o programa Verão Ativo porque o CLDS está a encerrar as suas atividades e os jovens promotores dos anos anteriores não estão disponíveis para organizar as atividades no mês de agosto.
Da mesma forma a participação na Feira das Atividades não irá ter a base de participação de anos anteriores.
Todos sentem que há mudanças em curso. Um novo ciclo na vida comunitária está a ter início.
Encontros para a Sistematização de Experiência V
| NOME | Pe. André Silva e Sónia Amaral |
| FUNÇÕES | Presidente e Diretora Técnica |
| ENTIDADE PARCEIRA | Centro Social Padre José Augusto da Fonseca |
| PRINCIPAL CONTRIBUTO NA PARCERIA DO CLDS | Organização (apoio à organização de atividades do CLDS); Facilitador (apoio no acesso às pessoas e organizações); Inovador (Dinamizador de novas soluções no território); |
MENSAGENS FUNDAMENTAIS
O sistema de governança ainda não adquiriu uma estrutura sólida e existem falhas na cooperação sendo ainda limitada a dinâmica colaborativa de rede multilateral. Mas a permeabilidade a iniciativas não previstas existe e alguns vasos comunicantes entre instituições do mesmo tipo estão instalados.
- As interações na parceria tendem a convergir para a Coordenação do CLDS de forma justificada em muitas situações, mas noutras seria útil que elas ocorressem de forma multilateral e em sistema de rede aberta.
- Existe um capital de confiança significativo que no essencial constitui a base estrutural das parcerias. Essa confiança estende-se aos participantes nas ações que fazem questão de relembrar a programação das atividades aos responsáveis das instituições.
As mudanças mais percetíveis nos participantes nas atividades do CLDS radicam na ideia-força de que vale a pena realizar novas experiências e que não se fecharam as portas da vida aquando da institucionalização.
- A mudança de mentalidade resulta da descoberta que a idade não é barreira para realizar atividades que antes eram arrumadas através da declaração “isto não é para mim”;
- A convicção do repouso merecido, depois de trabalhar a vida toda, estar associado a não fazer nada vai progressivamente perdendo força á medida que são provocadas situações ativas realizadas em grupo;
- Verifica-se uma nova base de participação. Não se vai porque há uma obrigação mas antes porque se está interessado.
Existem novas interações entre instituições que num passado recente seriam inimagináveis.
- A regra que impõe o autoisolamento está a ser posta em causa.
- Já existem programações concertadas, por exemplo, na área da formação. Grupos que se completam com participantes de outras instituições;
- Acontecem situações de visitas e convívios entre instituições com a participação dos “clientes”.
Novas soluções baseadas na flexibilidade poderão assegurar a continuidade desejada deste tipo de intervenção social.
- Um modelo adaptado de Universidade Sénior poderá ser progressivamente organizado nas freguesias com atividades rotativas;
- Uma combinação de voluntários, aposentados, especialistas poderão assegurar a animação de sessões temáticas nas aldeias;
- Uma das dificuldades consistirá na gestão de custos que inevitavelmente irão bloquear a adesão de associações locais.
DEBATE
O tema crítico que esteve no centro da reflexão do Encontro para a Sistematização de Experiência foi o da relação entre animação comunitária e desenvolvimento social e local.
Argumento 1 – O bem-estar das populações locais é uma medida suficiente para medir o desenvolvimento local. Não se pode ter pretensões desmedidas e querer um desenvolvimento que descola da realidade instalada dos territórios;
Argumento 2 – Numa fase inicial, e durante um tempo relativamente prolongado, é útil fazer confluir iniciativas locais para a sede de concelho. As pessoas cruzam-se pouco no território. A vinda a espaços de encontro centrais torna-se uma mola para uma maior abertura e consequentemente potencialmente mais associadas ao desenvolvimento local,
Argumento 3 – As atividades que venham a ser realizadas no quadro de iniciativas com maior abertura temática poderão servir para reforçar a inovação e a qualidade de serviços nas instituições, ou seja, projetos externos podem influenciar a atividade interna das entidades que operam nos territórios. Não se deve, desta forma, limitar as iniciativas a processos de animação, sendo útil a experimentação de novos domínios associados a experimentações e a práticas sociais inovadoras.
A INFORMAÇÃO PARA O EXTERIOR – A ABORDAGEM JORNALÍSTICA DO ENCONTRO
Hoje fui com a minha neta ao treino
Desenganem-se. Não fui eu que a fui observar na execução rigorosa e dinâmica de exercícios de ginástica desportiva que ela anda a treinar para as provas da primavera. Desta vez foi o inverso. Foi ela que me acompanhou ao novo espaço onde estamos a praticar karaté.
O grupo de karatecas já reúne uma dezena de jovens. Treinam com regularidade e gostam do que fazem. Recentemente foi feito o convite aos adultos para se juntarem ao coletivo e alguns ousaram vir observar uma aula para ponderarem uma eventual inscrição. O que é certo é que já são duas avós a vestir o kimono e a experimentar as sensações de uma arte marcial que pode ser praticada apenas como ginástica orientada para a realização de alguns movimentos específicos.
Este sinal de abertura a práticas desportivas menos convencionais para públicos com idade mais avançada também tem tradução na música, na fisioterapia, na digitalização e uso de telemóveis e computadores, enfim em áreas que requerem uma disponibilidade para a ação e que se colocam, no polo oposto da fatalidade do cadeirão e da televisão dos centros de dia.
Pouco a pouco vai-se estruturando uma ideia de Universidade Sénior em espaços difusos, com uma lógica totalmente descentralizada. Num primeiro ano de experimentação nem sequer o modelo-base das US será invocado. Só depois de um teste do modelo flexível que se pretende implementar é que se fará um balanço e serão tomadas decisões mais estruturais.
E claro, a questão dos apoios vai colocar-se, já que os custos de deslocação e não só irão serão certamente elevados.
Encontros para a Sistematização de Experiência VI
| NOME | Grupo de idosos | Participantes em ações (At. 1, At. 5, At. 6, At. 7) do CLDS |
| FUNÇÕES | – |
| ENTIDADE PARCEIRA | – Associação de Melhoramentos da Imaculada Conceição – Eirado |
| PRINCIPAL CONTRIBUTO NA PARCERIA DO CLDS | Organização (apoio à organização de atividades do CLDS); Facilitador (apoio no acesso às pessoas e organizações); |
MENSAGENS FUNDAMENTAIS
O convívio com outras freguesias será uma das ações mais interessantes para futuro
- Iniciativas que necessitem de ser preparadas e cujo processo de preparação sejam simultaneamente atividades de aprendizagem e de partilha de experiências;
- Sessões de memórias do passado, que em muitas situações é comum entre as freguesias, que se articulem com questões do presente o do futuro nomeadamente sobre as questões do bem-estar e da vida comunitária.
Os temas da saúde poderão ser um campo privilegiado para iniciativas que envolvam toda a comunidade.
- A informação e a sensibilização para alguns temas centrais dos cuidados de saúde individuais e coletivos;
- A abordagem prática com pequenas atividades de autodiagnóstico;
- A participação em campanhas promovidas pelas autoridades da Saúde.
- A atividade física organizada com apoio especializado combinada com recomendações de fisioterapia.
DEBATE
As atividades a serem realizadas devem ser repartidas ao longo da semana e serem curtas ou é preferível ter uma jornada inteira, num dia da semana, que concentre essas iniciativas num só dia?
Argumento 1 – Todos os dias pequenas atividades, é preferível para depois cada um fazer o que entende e deseja sem ficar amarrado ao compromisso das atividades a realizar;
Argumento 2 – Um dia muito sobrecarregado só se for para um passeio fora da localidade;
Argumento 3 – Depende das atividades, mas se for para cozinhar ou bordar uns panos o melhor é ser uma manhã inteira.
A INFORMAÇÃO PARA O EXTERIOR – A ABORDAGEM JORNALÍSTICA DO ENCONTRO
Um fim-de-tarde bem passado
A maior parte das mesas já estava ocupada e às tantas ainda faltavam cadeiras para que todos se pudessem sentar. Quem estava lá fora entrou e aos poucos a sala compôs-se. Hoje o encontro ia ser diferente, a bem dizer ninguém sabia porquê. Mas alguma razão haveria.
As primeiras reações às perguntas sobre a forma como correu o CLDS Aguiar no Coração naquela localidade foram elucidativas. Correu bem, dizia-se sem hesitações. Foi de tal ordem a resposta categórica sobre o passado que teve que ser aberta a temática do futuro, sem grande conversa ou opiniões muito fundamentadas.
E começaram as hipóteses a correr pela sala. Uns reagiam com piadas e outros com gargalhadas. Outros apoiavam, mas sem fazerem pedidos de detalhes ou mais informações. Falou-se de ginástica, de visitas, de convívios, de bordados e de cozinhados. E de muitas outras possibilidades algumas entre dentes para não provocar polémicas desnecessárias.
No fundo cumpriu-se a tradição de uma certa atitude expectante, associada a uma disponibilidade espontânea que o dia-a-dia ditará.
Já se sabia que o contexto não se adapta a planos, o contrário é que é verdade. Os planos é que terão que se adaptar aos contextos.
Encontros para a Sistematização de Experiência VII
| NOME | Altino Pinto, Andreia Baltazar, Rubén Amorim e Hélder Fernandes |
| FUNÇÕES | Coordenador e Equipa Técnica do CLDS |
| ENTIDADE PARCEIRA | Centro Social Paroquial de Dornelas |
| PRINCIPAL CONTRIBUTO NA PARCERIA DO CLDS | Iniciativa (organização de atividades próprias); Co-gestor (Participação nas tarefas de coordenação do CLDS); Inovador (Dinamizador de novas soluções no território); |
MENSAGENS FUNDAMENTAIS
Uma das tarefas centrais de uma equipa dinamizadora de um projeto de intervenção social consiste em cuidar de um sistema de governança que opere em favor do desenvolvimento social.
- No CLDS Aguiar no Coração as falhas no sistema de governança não são principalmente organizativas, elas encontram-se antes de mais no fraco compromisso que existe entres as instituições em agir de forma coletiva e em rede, restringindo cada uma delas as suas relações, em grande medida, a interações com a Coordenação do programa;
- No plano das orientações e das políticas que regem o sistema no quadro do CLDS teria sido útil que as metodologias participativas utilizadas tivessem tido um impacto maior em cada instituição ao ponto da escuta ativa e da negociação com os públicos passarem a ter uma presença mais forte nas práticas das diversas instituições da parceria.
- Na gestão das relações de poder mantiveram-se, em muitos casos, as relações de autoridade predefinidas, dificultando o surgimento de uma nova autoridade cocriada na área do social (expectativa que foi criada aquando da constituição das Redes Sociais e dos CLAS que foram, entretanto, municipalizados). Aliás a confiança existente e a credibilidade conquistada pela equipa CLDS não foi transferida para nenhum coletivo com autoridade formal no território, o que significa que existem mecanismos de bipolarização e não de agregação inter-institucional.
Apesar do perfil facilitador da Equipa CLDS estar bem presente nas interações com os participantes nas iniciativas, essa abordagem ocorreu de forma mais reduzida com as instituições da parceria.
- Foram utilizadas metodologias dinamizadoras de auscultação e de participação como o World Café e o Fotovoice e foram sobretudo realizadas aproximações aos participantes nas ações com grande informalidade. Por vezes esta abordagem informal levava a que objetivos temáticos não fossem totalmente concretizados, mas reforçaram-se relações de proximidade e confiança. Já a animação de rede da parceria, baseada em metodologias próprias, acabou por não ter a mesma intensidade, confirmando-se, no entanto, um relacionamento de grande cumplicidade bilateral.
Instrumentos de Diagnóstico, ferramentas de intervenção social e metodologias de educação não-formal poderiam ter sido mobilizadas de forma mais consistente e em consequência, poderia ter havido um foco mais efetivo naquilo que seria verdadeiramente importante para quem estava a participar e para os objetivos do Programa.
- Em algumas atividades do programa o número excessivo de participantes dificultou intervenções mais estruturantes de processos de mudança;
- Querer abarcar tudo é um erro, às tantas não se realiza um trabalho em profundidade.
O processo criativo foi determinante no sucesso da transformação do Plano de Ação em ações concretas.
- Houve uma linha de atuação orientada para o empowerment dos participantes que implicou uma abordagem criativa na definição das tarefas. As práticas convencionais não tinham eco junto dos envolvidos e foi necessário inventar e encontrar soluções adaptadas aos contextos;
A passagem dos CLDS para a gestão das Câmara Municipais vai apresentar muitas dificuldades e às tantas deveria ser evitada ou repensada.
- O CLDS como projeto de animação comunitária surge como agregador, lógica de atuação que o Município, pela sua natureza, não poderá assegurar aos olhos de muitos parceiros e participantes;
- Como as políticas sociais não serão uma prioridade do Município, admite-se que nessa medida, as tarefas do futuro CLDS possam ser secundarizadas;
- O Recrutamento de técnicos, com perfis exigíveis para esta missão, dificilmente poderá ser realizado nos termos desejáveis, atendendo as regras de recrutamento na Administração Pública;
- Enquanto a progressão que importa concretizar é no sentido da descentralização e no funcionamento em rede, a experiência da atuação do Município, por razões de cultura dos organismos do Estado, é principalmente centralizadora ou invés do desejado.
DEBATE
Encontrar as vias para uma maior autonomia das pessoas e das organizações locais faxe à dependência de Equipas Externas na intervenção social surge como um desafio com elevada complexidade.
Argumento 1 – Existem situações que a conquista dessa autonomia nunca acontecerá. O modelo de intervenção, por exemplo para públicos com idades muito avançadas, será o da animação sociocultural. O envolvimento é possível durante a própria ação, mas toda a dinâmica de projeto terá que ser realizada por equipas especializadas;
Argumento 2 – As Equipas Externas devem lançar os processos e dinamizar os pontos de partida, devendo dar seguimento às atividades numa base co-organizada e adaptando o ritmo de execução ao potencial e à progressão nos processos de auto-organização e de co-responsabilização dos participantes e dos parceiros. Apesar da execução ser mais lenta e com dificuldades acrescidas, os ganhos no final serão superiores a atuações com liderança não-partilhada;
Argumento 2 – O elemento estratégico de um processo visando a auto-organização radica na identificação de alguém que possa exercer uma função mediadora, no início de pequenas tarefas e progressivamente de atividades mais significativas. A própria evolução do processo de autonomização precisa de funções de mediação social associadas. As duas dinâmicas – autonomização dos grupos e mediação social – devem progredir paralela e simultaneamente.
A INFORMAÇÃO PARA O EXTERIOR – A ABORDAGEM JORNALÍSTICA DO ENCONTRO
Uma equipa todo-o-terreno
Quando chegam à aldeia, à passagem pela rua principal no carro em marcha lenta, perdem-se em cumprimentos. Às vezes têm que largar o volante e sair. Há uma novidade que tem que passar de boca a orelha e o arranque da Oficina sobre Conversas à Distância vai ter que esperar uns minutos. Mesmo que seja coisa pouca é sempre importante, porque quem quer relatar confia e essa é a seiva da árvore da animação comunitária e da relação da Equipa CLDS com os aldeões.
Quando a Sandrine apareceu no ecrã do computador, não foi surpresa. Estavam todos à espera e era uma operação que se repetia. Depois da Oficina, quando a sala começava a ficar vazia, aproveitava-se e depois de um telefonema fazia-se a chamada via Internet. Calhava bem porque em França à quarta-feira à tarde não há aulas e as crianças podem estar por casa. Desta vez foi a avó a fazer a ligação, sem precisar de apoios, apesar de todos quererem ajudar. Para a jovem Sandrine era uma festa estar em contacto com uma aldeia em Portugal aquela hora, com algumas pessoas à volta do computador. Para a avó era a alegria de falar com a neta como se ela estivesse ali ao lado.
O Sr. João adiantou que conhecia bem a cidade francesa onde mora a Sandrine e aproveitou para relatar a história de travessia a Salto, desde Vilar Formoso até Hendaye, nos tempos do Estado Novo e da imigração ilegal. Foi naquela cidade que, a caminho de Champigny na Região parisiense, comprou dois pães com francos velhos numa padaria ao pé da estação de caminho de ferro.
Andreia precisava de ir à aldeia vizinha entregar uns papéis a uma senhora que vivia só. Não conhecia a terra e não era conhecida. Enquanto o Hélder abria a segunda chamada, desta vez para a Suíça, pegou no carro e avançou. Vestia nesse dia uma longa saia plissada cinzenta e uma blusa se tom beije. Levava as pastas habituais consigo e procurou pela senhora batendo à porta da primeira casa que lhe apareceu. Bateu no início de forma ponderada, mas à segunda fê-lo com maior vigor. Ouviu o “Quem é?” do lado de lá e aguardou. Quando abriram, em parte, a porta da casa a reação do lado de dentro foi imediata “Hoje não! Desculpe tenho muito que fazer. Hoje não!” e fechou sem mais o acesso à casa sem dar oportunidade para qualquer explicação.
Andreia quando regressou ao carro olhou para a sua imagem e para a situação criada e acabou por perceber que tinha sido confundida com uma Testemunha de Jeová, agrupamento religioso que costumava passar pelas aldeias daquela zona.
Quando acolheu o Hélder no carro, de novo na aldeia onde tinha acabado a Oficina, riram-se às gargalhadas e foi com boa disposição que rumaram ao Agrupamento de Escolas para preparar com alunos, professores e pais, a próxima exposição sobre Ambiente, com materiais reciclados ou reutilizados pelos próprios alunos.
A jornada estava apenas a começar e o plano de atividades previa vários encontros e sessões com crianças e jovens do concelho. No fundo era esta versatilidade que permitia trabalhar com públicos tão diversificados que fazia deste coletivo “uma equipa todo-o-terreno”.
Encontros para a Sistematização de Experiência VIII
| NOME | Ruben Amorim |
| FUNÇÕES | Presidente |
| ENTIDADE PARCEIRA | CPCJ Aguiar da Beira |
| PRINCIPAL CONTRIBUTO NA PARCERIA DO CLDS | Organização (apoio à organização de atividades do CLDS); Iniciativa (organização de atividades próprias); |
MENSAGENS FUNDAMENTAIS
Algumas atividades inscritas no Plano de Ação do CLDS terão continuidade no quadro de intervenção da CPCJ. Será um dos impactos positivos das iniciativas levadas a efeito com crianças, jovens e famílias nos últimos três anos e meio.
- O conhecimento do território e das suas necessidades que existe na CPCJ e a experiência vivida e partilhada no âmbito do CLDS facilitarão a adaptação das ações previstas à lógica de ação da Comissão;
- As ligações entre o desenho de programas no âmbito da intervenção parental e familiar do CLDS e as atividades principalmente preventivas da CPCJ visando a Promoção e Proteção dos direitos das crianças e jovens são tidas como óbvias e consequentemente poderão facilitar a execução num contexto diferente daquele que lhe deu origem;
Reforçar a capacidade local de agir mobilizando todos os recursos e apoiando o surgimento de novos atores no território.
- Os recursos criados pelo CLDS serão utilizados no futuro pela CPCJ. Aliás a sua disponibilização poderá ser muito mais ativa, dando-lhes visibilidade. Por outro lado, dar seguimento à criação da Associação de Pais, constitui um objetivo relevante.
Alguns eventos serão retomados tendo em conta as experiências e os modelos de animação que foram desenvolvidos no âmbito do CLDS, procurando melhorá-los.
- O Dia Internacional da Juventude vai exigir no futuro que entidades como o Conselho Municipal da Juventude estejam operacionais e que sejam parte ativa das atividades:
- De igual modo o Dia da Família também terá um enquadramento nas ações preventivas da CPCJ para a qual a intervenção parental e familiar é particularmente importante.
DEBATE
Como fazer face à situação de desigualdade dos jovens e crianças das regiões do interior que não têm as mesmas oportunidades que os do litoral?
Argumento 1 – O mais importante é apoiar o desenvolvimento de competências que criem condições para que não se agravem desvantagens estruturais;
Argumento 2 – Uma sensibilização das instituições locais para a importância de estabelecerem pontes com jovens, através de apoios ao associativismo juvenil, de facilitarem estágios, de promoverem apoios como bolsas de estudo, de apoiarem iniciativas desportivas dirigidas a crianças e jovens, é a questão-chave desta problemática;
Argumento 2 – A abertura ao mundo, com a realização de projetos europeus, com a facilitação de contactos com outros países e associações será certamente uma via para superar as barreiras de partida.
A INFORMAÇÃO PARA O EXTERIOR – A ABORDAGEM JORNALÍSTICA DO ENCONTRO
A violência doméstica no Programa de Prevenção da CPCJ
Para muitos o tema é tabu. Alguns consideram mesmo que é melhor nem falar, deixar estar como está. Mas para a CPCJ há crianças e jovens em risco e podem esperar tudo dela, menos que não faça nada.
Os planos para uma atuação mais intensa estão desenhados e preparados para serem executados. Não será de nada de muito diferente daquilo que já é realizado no território de intervenção. Mas colocar o tema nas prioridades das instituições e pessoas de Aguiar da Beira exige muito esforço de comunicação e persuasão.
Numa primeira plataforma de envolvimento estão as entidades profissionalizadas. Aquelas que dispõem de recursos profissionais para que as ações que sejam levadas a efeito tenham consistência técnica e continuidade. Sem esta participação, de profissionais devidamente capacitados para agir em contextos difíceis, não se deve esperar grandes resultados.
Numa segunda base de cooperação estão os voluntários, que são indispensáveis, têm uma grande proximidade aos problemas locais e agem por convicção nestes terrenos sempre complicados de palmilhar.
CPCJ, Profissionais de instituições locais e Voluntários, juntos querem que a Violência Doméstica, que afeta a vida de muitos, com crianças e jovens à mistura, seja fortemente posta em causa e que a sua expressão no território vá progressivamente reduzindo.
Encontros para a Sistematização de Experiência IX
| NOME | António Ferreira |
| FUNÇÕES | Coordenador |
| ENTIDADE PARCEIRA | Proteção Civil Municipal de Aguiar da Beira |
| PRINCIPAL CONTRIBUTO NA PARCERIA DO CLDS | Organização (apoio à organização de atividades do CLDS); Iniciativa (organização de atividades próprias); Inovador (Dinamizador de novas soluções no território); |
MENSAGENS FUNDAMENTAIS
O CLDS surgiu no período da Pandemia como uma mais-valia de elevada relevância para a resolução de problemas globais da sociedade. Naquela situação de emergência o dispositivo criado com a Rede de Voluntários tornou-se um dos fatores de sucesso no combate ao surto pandémico.
- Tratou-se de uma rede de voluntários, principalmente composta por jovens que se encontravam sem ocupações escolares, que foi o elo de ligação fundamental às populações, com destaque para as zonas rurais e para os mais idosos.
- A auto-organização e a estrutura flexível, em clara oposição às tradicionais estruturas hierarquizadas que se tornam burocráticas e pesadas, foram os elementos determinantes num funcionamento que resultou de forma plena.
- A existência de meios de comunicação acessíveis para todos criou condições para que as atividades fossem concretizadas sem atropelos ou complicações, tendo sido a Equipa CLDS facilitadora das interações um papel muito valorizado pela Proteção Civil e pelos Voluntários.
Manter uma Rede de Voluntários, que deu provas durante a pandemia, para outras circunstâncias de crise é assunto a aprofundar. Tudo indica que o seu modelo flexível constitui uma clara mais-valia para qualquer sistema de intervenção que envolva populações.
- Uma das situações de crise que se adapta ao perfil da Rede de Voluntários / CLDS é a dos incêndios florestais. Nessas circunstâncias de emergência para a proteção de pessoas e bens, a existência de atuações preventivas ou de retaguarda podem ser muito importantes. Importa é saber se existe compatibilidade com os dispositivos existentes nomeadamente com a figura do Oficial de Segurança da freguesia.
- A maior dificuldade prende-se com a composição da Rede já que os jovens estudantes que integraram a da pandemia poderão estar longe e ser-lhes impossível colaborarem.
- A manutenção de uma Rede implica um plano de envolvimento e de realização de ações com alguma regularidade, o que implicaria tempo e recursos adicionais e provavelmente a participação das Juntas de Freguesia.
As competências de uma Equipa de Projeto com vocação social foram postas à prova num contexto de elevado nível de exigência em termos de adaptabilidade. O resultado positivo da cooperação havida no âmbito da Proteção Civil consolida a ideia-força dos perfis de base polivalente em detrimento das hiperespecializações, na composição do grupo.
- Construir relações de confiança, surge como um elemento incontornável, para realizar as atividades no âmbito do CLDS;
- Demonstrar disponibilidade e flexibilidade para se ajustar às dinâmicas de terceiros;
- Animar redes, numa base operacional, mas também motivacional e de comprometimento com os Planos de Ação surge ainda como um requisito fundamental para dinamizar as ações programadas.
DEBATE
Para alimentar as Redes de Voluntariado e incentivar os seus membros a uma ação continuada importa ter estratégias de reconhecimento adequadas.
Argumento 1 – O reconhecimento da atividade dos voluntários deve ser antes de mais no campo da valorização do trabalho de grupo, do coletivo e dos resultados obtidos;
Argumento 2 – O reconhecimento tem que ser público e assumido pelas entidades que podem prestigiar os atos em causa pela sua autoridade institucional;
Argumento 3 – O reconhecimento deve ser individualizado e ter impacto na comunidade de pertença do/da voluntário/ia.
Argumento 4 – O reconhecimento deve estar associado a pequenos benefícios simbólicos que deem acesso a pequenas vantagens que podem ser concedidas pelos Município ou por entidades da economia social.
A INFORMAÇÃO PARA O EXTERIOR – A ABORDAGEM JORNALÍSTICA DO ENCONTRO
Num concelho que esteve nas bocas do mundo, no período da Pandemia por causa da elevada taxa de incidência e de mortalidade, surgiu um elemento novo que relançou o otimismo no concelho de Aguiar da Beira: a rede de voluntariado dinamizada pelo CLDS local em articulação com a Proteção Civil.
Augusto estendeu o saco de plástico à dona da casa que já estava pendurada à janela. Estava tudo o que fora pedido com exceção da lata de atum. Só havia de outras marcas. Mas amanhã vai haver reposição de stock no minimercado e tudo se resolverá.
Para além dos agradecimentos habituais houve conversa durante alguns minutos e o Voluntário, que já estava de pé desde as primeiras horas da manhã para cumprir esta tarefa de distribuição e ligação à população mais idosa da aldeia, ainda esticou um panfleto com as últimas indicações da Proteção Civil.
No percurso até ao largo da Igreja ouviu os protestos, alto e bom som, de um dos aldeões que num grupo que conversava distanciado de uns metros, exigia que dissessem a verdade sobre os mortos no lar que tinha sede na freguesia vizinha. Quanto a ele, nos números anunciados na televisão, faltava bem uma meia-dúzia. Sentia-se na voz uma revolta, às tantas injustificada. Augusto ligou para a coordenação do CLDS e explicou a situação.
Por esta necessidade de também gerir conflitos criados por informação com interpretações diversas é que a Equipa não estava à espera. A verdade é que os utentes do lar, que não alteraram as suas moradas e cujo falecimento estava a ser imputado ao concelho de residência, criaram uma situação de grande confusão que veio alimentar um clima tenso que a pandemia generalizou nos territórios.
A aproximação entre temas como a segurança, a intervenção social e a gestão global de conflitos estava a enriquecer, sem qualquer dúvida, o portefólio de competências de uma equipa já por si polivalente. Com esta abordagem reforçava-se também a sensação que, com todas as dificuldades, a aventura CLDS acaba por valer a pena.
Encontros para a Sistematização de Experiência X
| NOME | Paulo Duarte |
| FUNÇÕES | Enfermeiro (Conselho técnico) |
| ENTIDADE PARCEIRA | Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados |
| PRINCIPAL CONTRIBUTO NA PARCERIA DO CLDS | Organização (apoio à organização de atividades do CLDS); Iniciativa (organização de atividades próprias); |
MENSAGENS FUNDAMENTAIS
A experiência no período da pandemia reforçou a necessidade de serem pensadas formas de gestão dos recursos que são importantes no campo da saúde, mas também nos diversos domínios do funcionamento das instituições do território.
- A experiência da operação “centro comunitário de vacinação” que contou com uma parceria generalizada de IPSS, do Município, de outras instituições do concelho e do próprio CLDS, demonstrou que a partilha de recursos é uma via a seguir e que todos ganham com essa opção;
- Sabendo-se da atitude de fundo que existe nos mais idosos nas aldeias de só aceitarem ir para um lar quando não há alternativa, seria importante avaliar os recursos necessários para acompanhar esta posição que é legítima e tem a ver com o bem-estar de cada um;
- Uma das soluções a ponderar, que é de difícil aplicação, seria a criação de centros de noite que permitiriam manter os idosos em suas casas durante o dia, mas acautelariam situações de necessidade durante a noite, sem ter que haver uma institucionalização indesejada.
O CLDS assegurou de uma forma muito informal, durante a pandemia, um apoio psicológico às populações e às instituições porque tinha profissionais com preparação técnica para esta valência. Esta forma de agir e partilhar leva a ponderar a necessidade de partilha de profissionais com uma forte especialização, como será o caso de nutricionistas, fisioterapeutas e outros.
- Já existem alguns modelos de partilha de recursos, como é caso dos profissionais de desporto que intervêm nas IPSS neste domínio, a sua relação profissional é com o Município.
- Só será possível duplicar os serviços relacionados com a saúde e o bem-estar, medida que se impõe sabendo-se que a demografia revela que os setores idosos da população são largamente maioritários, se estiver na base da gestão destes processos uma forte partilha dos recursos existentes e mobilizáveis.
DEBATE
O sistema de apoio às pessoas mais idosas do concelho apresenta alguns sinais de rutura, há uma grande dificuldade em dar resposta a muitas situações e consequentemente tornam-se incontornáveis algumas soluções que à primeira vista aparecem como de difícil aplicação.
Argumento 1 – Soluções testadas e que apresentam alguma eficácia, o caso da teleassistência esbarra com o custo elevado dos serviços e com o número limitado de pessoas que podem ser apoiadas por região;
Argumento 2 – A reconversão e requalificação de casas que são propriedade das juntas de freguesia, ou até antigas escolas primárias, poderia ser uma solução para a disponibilização de espaços, colocar-se-ia sempre a questão dos recursos técnicos para apoio a novas modalidades de acolhimento (como são as residências partilhadas).
Argumento 3 – Na prática ainda estamos no ciclo do betão, na definição de soluções para estas problemáticas sociais, o que dificulta tomadas de decisão com um sentido oposto na filosofia e na definição de bem-estar.
A INFORMAÇÃO PARA O EXTERIOR – A ABORDAGEM JORNALÍSTICA DO ENCONTRO
Todos responderam à chamada
Não foi preciso nenhum apelo especial e muito menos uma “ordem de serviço” para que a organização do Centro de Vacinação contasse com participação e colaboração de praticamente todas as entidades cujo apoio facilitou imenso o funcionamento de um dispositivo que colocou muitas exigências em termos logísticos e de recursos humanos.
Cartazes, bandeirolas, folhetos explicativos não faltava material para alertar, informar, aconselhar, orientar todos aqueles que se dirigiram ao Centro de vacinação naqueles dias aflitivos da pandemia de COVID-19.
Nas aldeias os Voluntários da Rede que o CLDS dinamizou apoiavam os inscritos e candidatos potenciais à vacina naquele dia. Os transportes estavam assegurados pelo Município ou pela Junta de Freguesia e muitas tratava-se de uma espécie de raid, de ida e volta acelerada, que aliás todos desejavam a mais rápida possível.
Energia e dedicação sem limites estiveram presentes numa espécie de operação especial que a UCSP de Aguiar da Beira coordenou com mestria. Poder-se-á falar de parcerias no futuro. Mas esta deixou marcas de plenitude e ficará num resto especial na cooperação entre entidades no território.
Encontros para a Sistematização de Experiência XI
| NOME | Grupo de jovens | Participantes em ações (At. 1, At.2, At. 3, At. 4; At. 7) do CLDS |
| FUNÇÕES | Estudantes |
| ENTIDADE PARCEIRA | Agrupamento de Escolas Padre José Augusto da Fonseca |
| PRINCIPAL CONTRIBUTO NA PARCERIA DO CLDS | Facilitador (apoio no acesso às pessoas e organizações); |
MENSAGENS FUNDAMENTAIS
Foram muitos os fatores que levaram a uma desmotivação dos jovens para participarem de forma consciente e com sentido de autonomia nas questões de interesse público e do seu próprio interesse. Importa superar as barreiras criadas e ultrapassar a situação.
- A ausência de iniciativas e de atividades regulares de auscultação dos jovens provoca afastamento. Tudo indica que seria útil uma maior preocupação em ouvi-los e em envolvê-los em atividades municipais que lhes digam respeito (ex- dia internacional da juventude);
- A informação de má qualidade relativa às ações que são agendadas e divulgadas, nomeadamente na escola, provoca um alheamento em relação a iniciativas que até podem ter interesse;
- A inexistência de dinâmicas quer institucionais (Conselho Municipal da Juventude) quer associativas (associações de jovens) produz um desinteresse generalizado que se traduz em inércia e apatia.
Apesar do CLDS ter levado a efeito ações cuja finalidade foi apoiar o relançamento de associações juvenis, com destaque para a Associação de Estudantes, não tem havido evolução no sentido de uma melhoria e reforço do associativismo juvenil.
- Tudo indica que o primeiro passo para inverter a situação menos positiva será de concretizar no início do próximo ano letivo o objetivo de redinamizar a Associação de estudantes.
- Uma das justificações, entre outras, para relançar a associação e motivar os alunos a participarem poderá advir das iniciativas que a AE poderá levar a cabo no âmbito do Programa Erasmus+ e proporcionar atividades europeias em articulação com a Direção da Escola.
A experiência do Governo Jovem, realizada no âmbito do CLDS, que envolveu alunos e professores e que acabou por ter um impacto significativo com a ida dos seus representantes à Assembleia Municipal, poderá ser repetida com regularidade, reforçando por esta via as ligações dos eleitos aos mais jovens.
- Esta iniciativa que abordou vários assuntos na base das políticas públicas de 5 ministérios poderia ter um sistema de monitorização para aferir das consequências das propostas adiantadas;
- Um reforço para futuro da Iniciativa Governo Jovem poderá advir de uma ligação operacional ao Orçamento Participativo, designadamente na sua versão Jovem.
- O Governo Jovem, a adquirir uma dinâmica mais forte na próxima edição, poderá estender-se às freguesias através das assembleias de jovens nas aldeias.
DEBATE
Como devem os jovens ser ouvidos sobre os seus interesses e sobre as ideias que defendem para mudar situações que consideram injustas ou desfavoráveis aos jovens no seu conjunto?
Argumento 1 – A forma mais operacional de auscultação dos jovens é realizar um grande inquérito que aborde todas as questões de natureza social, cultural, económico e ambiental;
Argumento 2 – A forma mais adequada para ouvir os jovens é incentivar encontros e sessões nos quais eles possam pronunciar-se e debater;
Argumento 3 – Para que os resultados de uma auscultação aos jovens sejam credíveis devem ser os próprios jovens a organizar as iniciativas de auscultação devendo apenas serem apoiados em termos logísticos de forma neutra e adequada.
A INFORMAÇÃO PARA O EXTERIOR – A ABORDAGEM JORNALÍSTICA DO ENCONTRO
Jovens tomam a palavra na Assembleia!
Quando o Presidente da Assembleia Municipal abriu a sessão o nervosismo, que já era grande, duplicou de intensidade. Se fosse possível desistir e ir a correr para casa era o que dava vontade de fazer. Mas a missão era importante e todos confiavam na capacidade do representante do Governo Jovem em controlar as emoções e assegurar a parte que lhe fora confiada no processo divulgação das conclusões aos deputados municipais.
O papel com os tópicos que iriam ser lidos não parava de se agitar nas mãos que surpreendentemente não lhe obedeciam. Até que a voz do autarca, que lhe pareceu vir de muito longe, mencionou o seu nome e então tudo se tornou mais real e o próprio nervosismo enfraqueceu para níveis aceitáveis.
Os cinco ministérios traziam várias ideias, propostas e recomendações que foram ouvidas em silêncio pelos diversos eleitos. Os temas eram relevantes e as referências remetiam para o contexto económico, social e ambiental do concelho.
Temas fortes como a alimentação saudável, baseada em produtos locais adquiridos em circuitos curtos, pensando nomeadamente nas ementas dos restaurantes locais. Referências a um clube de escuteiros. Indicações sobre a habitação e a natalidade. E no plano da cidadania a participação nas tomadas de decisão e a reativação do Conselho Municipal da Juventude.
O debate foi curto e os comentários sobre a iniciativa foram de valorização. Mas outros pontos da ordem de trabalhos estavam a aguardar e o Governo Jovem retirou-se.
Cá fora na escadaria, foram abraços, selfies e muitas mensagens partilhadas com quem não pôde aparecer. Uma coisa estava clara. A missão tinha sido cumprida com sucesso.
CVR/10/08/2023