RVCC e desenvolvimento local
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Quatro áreas de aprofundamento temático
[Na foto de destaque, o primeiro júri de avaliação RVCC realizado em Portugal. Candidato – Sr,.Ramos – será o primeiro adulto certificado pelo sistemas. Avaliador Externo: Carlos Ribeiro].
O documento aborda a organização e o desenvolvimento do sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) e da Educação de Adultos, destacando a necessidade de equilibrar a certificação com o apoio ao desenvolvimento dos participantes nos Centros de Educação de Adultos.
- Diferenciação entre certificação e desenvolvimento: O sistema deve otimizar dois campos principais: a certificação, com foco no certificado e pouca margem de autonomia, e o apoio específico ao desenvolvimento, que privilegia ações colaborativas realizadas com os adultos, promovendo a auto-organização.
- Questões estruturais e funcionais dos centros: O financiamento dos centros enfrenta precariedade e há questionamentos sobre a equiparação dos contratos-programa aos de outros dispositivos educativos, além da valorização dos profissionais e da gestão dos processos online, que envolvem mais que tecnologia, incluindo autonomia e cooperação.
- Metodologias e avaliação: Desafios incluem a adaptação a múltiplos referenciais, a inclusão da língua estrangeira dentro ou fora do RVCC, e a necessidade de um sistema de avaliação externo mais participativo e ligado às oportunidades locais pós-RVCC.
- Cooperação e redes: Destaca-se a importância das redes territoriais entre centros e clubes, a dinamização de comunidades de prática para o desenvolvimento de competências, e a potencial integração das ligações internacionais com dinâmicas semelhantes a sistemas de emprego partilhados europeus.
AS QUATRO ÁREAS DE APROFUNDAMENTO TEMÁTICO PARA DESENVOLVER O SISTEMA DE RVCC E de EDUCAÇÃO DE ADULTOS NOS TERRITÓRIOS
Por Carlos Ribeiro
Para efeitos da organização do debate e da desejada definição de algumas linhas de atuação futura que apoiem a melhoria da atividade dos Centros de Educação de Adultos (Centros Qualifica e outros) procuram-se domínios de intervenção que sejam compatíveis com a ideia da “margem de manobra” complementar às tarefas quotidianas orientadas para a Certificação.
Mais vale otimizar os dois grandes campos de atuação – CERTIFICAÇÃO por um lado e APOIO ESPECÍFICO AO DESENVOLVIMENTO por outro – de forma delimitada (o que não quererá dizer separada) e procurar o máximo de eficácia nos impactos e resultados de ambos.
Afirmar-se que se faz tudo de forma articulada e integrada, sem ter objetivos bem definidos para cada área sabendo que os recursos e o tempo são escassos e muitas vezes insuficientes, pode significar que uma das partes não terá qualquer hipótese de ser levada a efeito. Trata-se de uma opção de arranque de processo. Mais tarde esta orientação poderá ser reformulada.
Por certificação entende-se todo o fluxo de ações que conduzem a um objetivo claro: o CERTIFICADO. Isto não quer dizer que não se integrem nas ações realizadas neste âmbito dinâmicas de desenvolvimento. Mas o enfoque é a certificação e a margem de liberdade e de autonomia é muito limitada.
Na “margem de manobra” (tudo o que poderá ser realizado à parte das tarefas estandardizadas no modelo de CERTIFICAÇÃO instituído) poderemos acima de tudo privilegiar ações e iniciativas propostas pelos adultos participantes nas atividades dos Centros e realizadas COM os adultos e não PARA os adultos. Neste plano a aprendizagem dos processos colaborativos e de auto-organização será determinante.
| ÁREA | PERGUNTAS RELEVANTES |
| ENQUADRAMENTO DO RVCC- EA NAS TAREFAS DO DESENVOLVIMENTO | No plano do desenvolvimento o sistema é principalmente de remediação/recuperação ou está orientado para a cidadania e transformação social? |
| Como se ligam as atividades realizadas neste âmbito com outros domínios do desenvolvimento das pessoas, das organizações e dos territórios? | |
| As relações estruturais a montante e a jusante do sistema são principalmente com que tipo de organizações e subsistemas sociais? | |
| FUNCIONAMENTO DOS CENTROS | O financiamento dos centros situa-se no conceito mais geral da PRECARIEDADE. Os contratos-programa não deveriam ser idênticos aos dos dispositivos de educação existentes no país? |
| Recursos humanos, profissionais da educação-formação nos Centros – salários, condições e direitos no trabalho – . Podemos admitir profissionais de primeira e de segunda nos sistemas de educação-formação no país? | |
| Os processos ONLINE e as condições para a sua implementação. Trata-se apenas de uma questão tecnológica (suporte em plataformas eletrónicas) de realizar processos a distância ou a questão principal é a gestão da autonomia e do reforço do sistema de cooperação (redes de participantes) etc? | |
| METODOLOGIAS | Os Novos Referenciais e a sua utilização. Como realizar os ajustamentos que se impõem com vários Referenciais em vigor em simultâneo? |
| Língua estrangeira. Trata-se de considerar esta vertente no RVCC ou principalmente como necessidade de formação e de instalação de dispositivos de formação complementar? | |
| Avaliador externo. O sistema de avaliação com ligação à comunidade local deveria ser mais efetivo e mais participado relacionando-o com OPORTUNIDADES no território para o pós-RVCC? | |
| COOPERAÇÃO | Redes de cooperação entre Centros e adultos. As Redes territoriais entre Centros e os Clubes Saber+ não deveriam ser o centro do trabalho colaborativo que é indispensável para a melhoria da atividade dos Centros? |
| A formação e o desenvolvimento de competências. Poderiam ser dinamizadas Comunidades de Prática de diversos níveis e objetivos no país para impulsionar a inteligência coletiva no sistema? | |
| As ligações internacionais, sobretudo a nível europeu, não deveriam ter a mesma dinâmica que os sistemas de emprego partilhados (EURES)? |