2026-04-17

Encontro de entidades locais à procura de uma saída para as Fraldas do Marão

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  1. A atualização do Diagnóstico Social correspondente ao território das Fraldas do Marão (FM – freguesias de Vila Chã do Marão, Fridão, Rebordelo e União das freguesias de Olo e Canadelo) resultou de um processo colectivo de uma Equipa Técnica de Clap que contou, por sua vez, com a colaboração das diversas entidades sedeadas no concelho para apurar os dados nele contidos.
  1. A sistematização da informação e as análises produzidas abordam e desenvolvem temas cruciais do estado actual das condições económico-sociais das FM como a demografia, a educação, as infraestruturas e as acessibilidades, a acção social, a saúde, o tecido associativo, as actividades culturais e de lazer e a economia local, sendo intenção do(a)s autore(a)s lançar a reflexão e o debate sobre as principais conclusões e sobre as perspectivas futuras para o território.

  1. Os dados revelam um agravamento muito significativo nos diversos domínios de análise e a avaliação das tendências confirma a dimensão estrutural dos problemas: perda de população de forma acelerada, baixa natalidade, quebra acentuada das actividades económicas, emigração, redução drástica dos serviços às populações locais, diminuição dos apoios sociais e maiores dificuldades no acesso à saúde, aos transportes e à educação (entendida de uma forma ampla nomeadamente à educação não-formal e informal por parte dos adultos pouco escolarizados).
  1. A par deste agravamento generalizado das condições económico-sociais   podem ser destacadas algumas referências positivas que estão associadas a iniciativas e equipamentos locais que ainda dão vida às localidades e permitem alguma esperança em relação ao futuro do território. Nesta matéria o destaque vai para a presença de novos rurais, para as iniciativas culturais com envolvimento das populações e algumas iniciativas económicas pontuais que denotam uma capacidade real de alguns operadores competirem nos seus mercados.
  1. O debate realizado no encontro interinstitucional com base no diagnóstico apresentado forneceu novas pistas para explicação dos problemas e ainda para a sua resolução ou pelo menos minimização. A consciência da gravidade da situação constitui por certo um factor determinante para uma acção futura mais consistente. Neste ponto foram reforçadas questões como a da existência de uma mentalidade demasiado individualista, de ser imperioso apostar na educação e nas competências locais, de valorizar os recursos como a floresta e o rio de forma clara e de apostar no turismo e nos produtos locais tradicionais.
  1. A necessidade de uma união numa nova escala foi acentuada pelos presentes que admitiram ser absolutamente indispensável revitalizar as formas de intercooperação entre as freguesias e criar uma plataforma cidadã para o desenvolvimento sustentável das Fraldas do Marão. Foi admitida a possibilidade de realização de um Fórum que poderá envolver as entidades locais e as populações num grande esforço de mobilização para estancar a morte lenta do território e relançar as bases de um futuro mais promissor para todos os que nele residem, trabalham e estudam.
  1. Algumas perguntas que podem ser assumidas para aprofundamento do debate iniciado no encontro:
  • podemos agir, trabalhar conjuntamente novas soluções, que recoloquem o desenvolvimento educativo das crianças e jovens num contacto mais intenso com o mundo rural (sem prejudicar e antes pelo contrário potenciar, o sucesso educativo)? E com estas medidas contrariarmos o êxodo para as áreas urbanas e do litoral?
  • será razoável esperarmos nos próximos tempos mais investimento público que assegurem “os serviços mínimos para a vida quotidiana das populações das aldeias”?
  • Poderemos contar com formas de organização e investimentos em sistemas logísticos interfreguesias que apoiem a comercialização de produtos artesanais, agrícolas e agro-alimentares ?
  • A baixa natalidade sendo um problema real como podemos agir para o contrariar?
  • Para que o turismo tenha sucesso é preciso que quem cá vive saiba receber os visitantes. Como poderemos influenciar este desempenho sabendo que muitas pessoas são idosas e sem grande disponibilidade para uma nova postura na relação com os outros?
  • Criar negócios que chamem pessoas é uma hipótese, mas temos que garantir que são negócios sustentáveis. Em que áreas podemos apostar para esse efeito?
  • Sabemos que a evolução tecnológica provoca desemprego e muitas actividades que existiam no passado deixaram de funcionar. Mas haverá algumas que poderão ser recuperadas para fornecer serviços locais sem ser com grandes inovações tecnológicas?
  • A agricultura não garantirá o nosso sustento, mas será possível pensar em actividades complementares que tenham por base a agricultura e sejam interessantes para a criação de rendimento?
  • O Rio Olo está muito condicionado. O que podemos realmente fazer nele e a partir dele?
  • A barragem vem trazer vários problemas. Mas será que poderá trazer coisas boas?
  • Que produtos da floresta têm verdadeiramente capacidade para serem comercializados de forma rentável?

Com estas interrogações e com a publicação do Diagnóstico Actualizado em alguns sites de referência, dá-se seguimento ao processo de reflexão e de definição de soluções.

Com o aprofundamento do debate e a recolha de novos elementos de reflexão poderemos iniciar um processo de desenho de uma Estratégia e instituir a Plataforma Cidadã para o Desenvolvimento Sustentável das Fraldas do Marão.

Carlos Ribeiro Caixa de Mitos

28 de Abril 2015

Presenças:

Padre Santos – Paróquia de Vila Chã Olo e Canadelo

José Domingos Pinto da Costa – Associação Desportiva de Vila Chã

Maria do Carmo Macedo – Grupo Folclórico de Vila Chã

José Albano Costa Carvalho – Associação Desportiva e Cénica de Olo

Manuel António Leite Ribeiro – Clap

Rui Leite – Presidente da União de Freguesias Olo e Canadelo

Fernando Gonçalves – Presidente da JF de Vila Chã do Marão

José António Ribeiro – Secretário da Junta de Vila Chã do Marão

Henrique Seixas – Presidente da Associação Amar Olo

José Armando Mota Pinto – Associação Amar Olo

Verónica Monteiro – Associação Amar Olo

Álvaro Teixeira – Baldios de Fridão

Cristina Gonçalves – Presidente da JF Fridão

Ângela Ribeiro – Associação Animar Fridão

Luís Pereira – Clap

Hélder Peixoto – Clap

Augusta Vieira – Clap

José Magalhães – Clap

Luísa Teixeira da Silva – Clap

Carlos Ribeiro – Caixa de Mitos – Agência para a Inovação Social

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